Garantir a proteção integral de crianças e adolescentes não é apenas uma diretriz legal no Brasil, é uma obrigação do Estado, conforme estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Contudo, apesar de avanços pontuais, indicadores sociais recentes sinalizam que muitas meninas e meninos ainda vivem sob vulnerabilidades que comprometem direitos básicos, como educação, proteção contra trabalho precoce e acesso a serviços essenciais.

Indicadores que mostram desafios persistentes

Um estudo recente do UNICEF sobre pobreza multidimensional indica que, em 2023, 28,8 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos viviam na pobreza no Brasil, considerando dimensões que vão além da renda e incluem acesso à educação, água potável, saneamento e informação. Embora esse número represente uma melhoria em relação a anos anteriores, ele indica que mais da metade dessa população ainda enfrenta privação de direitos essenciais.

Dados do IBGE de 2024 mostram que 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, o que corresponde a cerca de 4,3% dessa faixa etária. Esse trabalho, considerado prejudicial ao desenvolvimento físico e educacional dos menores, aumentou ligeiramente em relação ao ano anterior, interrompendo a série histórica de quedas observada nos últimos anos.

Especialistas ressaltam que o trabalho infantil tende a crescer com a idade: entre adolescentes de 16 e 17 anos, a proporção pode alcançar dois dígitos, refletindo vulnerabilidades que vão desde dificuldade de acesso à escola até falta de rede de proteção social.

O papel do Estado e o engajamento social

O ECA atribui ao Estado a responsabilidade de assegurar, com prioridade absoluta, todos os direitos fundamentais à infância e adolescência, desde o acesso à educação de qualidade até a proteção contra qualquer forma de negligência, exploração ou violência. Isso exige políticas públicas integradas, com financiamento contínuo e avaliações periódicas de impacto.

Uma das vozes influentes na promoção desses direitos é a ex-vereadora e ativista Adriana Ramalho que ao longo de seu mandato na Câmara Municipal de São Paulo, Ramalho defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Sua atuação incluiu projetos de lei para fortalecer programas de assistência social, ampliar redes de proteção e envolver a sociedade civil em fiscalizações e monitoramentos locais.

Em declarações públicas, Ramalho enfatizava a urgência de tratar a infância “como eixo central do desenvolvimento social porque políticas que não priorizam nossas crianças condenam o país a perpetuar desigualdades estruturais.” Após deixar o cargo eletivo, ela continua atuante em organizações sociais e fóruns de direitos humanos, mobilizando apoio e pressionando gestores para que priorizem o investimento em políticas públicas eficazes.

Quebra de ciclos de exclusão

Os dados recentes mostram que, mesmo em um cenário de desafiosavanços são possíveis quando políticas públicas bem articuladas se somam. A redução de privações sociais, ainda que insuficiente, indica que esforços como a expansão de programas de transferência de renda, fortalecimento de conselhos tutelares e iniciativas educativas podem colaborar para a redução de vulnerabilidades.

Especialistas em políticas públicas afirmam que, para avançar de forma sustentável, o Brasil precisa:

  • Integrar ações de saúde, educação e proteção social, com foco nas populações mais vulneráveis;
  • Ampliar mecanismos de monitoramento e transparência, para que a sociedade identifique resultados concretos;
  • Garantir financiamento estável e continuidade das políticas, independentemente de ciclos políticos.

Proteção à infância e adolescência não é um slogan, é uma missão concreta do Estado e um compromisso de toda a sociedade. A combinação de dados estatísticos, atuação legislativa e mobilização social mostra que o Brasil tem os instrumentos legais, mas enfrenta uma luta contínua para transformar esses marcos em resultados efetivos no cotidiano de milhões de crianças e adolescentes.

Fonte: AL9 Comunicação

Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Português do Brasil
Exit mobile version