Iniciativa do AME Dona Maria Lopes, em Jundiaí, reúne pacientes quinzenalmente para acolhimento emocional e orientação multiprofissional
Publicado em 15/10/2026 – 12:56
Receber o diagnóstico de câncer costuma marcar o início de um período de dúvidas, medo e ansiedade para pacientes e familiares. Para oferecer suporte nesse momento e ajudar a enfrentar o período que antecede o início do tratamento, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Dona Maria Lopes, em Jundiaí, unidade da Secretaria de Estado da Saúde, realiza o Projeto Acolher, iniciativa que oferece acompanhamento psicológico e orientação multiprofissional a pessoas recém-diagnosticadas com câncer de todos os tipos.
Os encontros são realizados quinzenalmente e conduzidos por uma equipe composta por psicóloga, profissional de serviço social e de um enfermeiro. As reuniões são divididas entre turmas de mulheres e homens, o que possibilita um cuidado mais íntimo como ocorre com os casos de câncer de mama.
“O período após o diagnóstico de câncer de mama é desafiador para muitas mulheres. Além do medo e da insegurança em relação ao tratamento, existe a preocupação com as possíveis mudanças no corpo e o impacto que elas podem ter na autoestima e na forma como essa mulher se percebe. Por isso, é importante que ela tenha espaço para falar sobre esses sentimentos e receba apoio para enfrentar essa nova etapa de maneira mais segura”, afirma Dyane Jaqueline Cardoso, coordenadora assistencial do AME Donal Maria Lopes.
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Segundo a coordenadora, o projeto surgiu a partir de uma necessidade identificada na rotina do serviço. Pela legislação, o paciente diagnosticado com câncer deve ser encaminhado para início do tratamento no SUS em até 60 dias. Nesse intervalo, porém, a equipe percebia que muitos pacientes chegavam ao AME com dúvidas, ansiedade e necessidade de informações sobre os próximos passos da jornada.
“O pós-diagnóstico é um momento de medo, ansiedade e muitas incertezas. Por isso, entendemos que cuidar do paciente não é apenas realizar exames, seguir protocolos ou chegar a um diagnóstico. É olhar para a pessoa em sua totalidade, para suas emoções, seus medos, sua história e suas necessidades reais. O acolhimento também faz parte do cuidado”, afirma.
Além da espera pelo tratamento, outro desafio identificado pela equipe era a dificuldade de alguns pacientes em compartilhar o diagnóstico com familiares. Em alguns casos, o medo e a insegurança faziam com que a pessoa preferisse enfrentar sozinha as primeiras etapas após a descoberta da doença. Os encontros permitem que os participantes conversem com profissionais e com outras pessoas que estão passando por experiências semelhantes, favorecendo a troca de informações e o suporte emocional.