Brasil Game Show vai acabar? BGS 2026 sofre críticas nas redes sociais
A Brasil Game Show 2026 está sofrendo críticas pesadas nas redes sociais.
Anunciado em junho na Summer Game Fest, Alien Isolation ainda não tem data de lançamento, mas já carrega um grande legado. Além de fazer parte de uma franquia famosa dos cinemas, o game chega para dar sequência a um clássico moderno do terror nos videogames.
Com Alien: Isolation 2, a Creative Assembly quer recuperar a tensão que transformou o primeiro título em uma das experiências mais marcantes do gênero, mas sem se limitar a repetir a fórmula de 2014. E, apesar da evolução das ferramentas de desenvolvimento, o estúdio também não pretende recorrer à inteligência artificial generativa para construir o novo pesadelo.
Alien Isolation 2 traz Xenomorfo mais inteligente, mas sem IA generativa. Foto: Creative Assembly
Em entrevista ao VOXL durante a Brasil Game Show (BGS), Al Hope, diretor do game, e Archie Whitehead, diretor criativo e artista principal de ambientes, falaram sobre os desafios de retornar ao universo de Alien e a evolução do Xenomorfo, que promete estar ainda mais letal. Durante a feira, tivemos a chance de jogar 30 minutos do novo game, que traz uma atmosfera densa, áreas externas castigadas por tempestades e um alienígena ainda mais inteligente.
Alien Isolation 2 quer evoluir o terror do primeiro jogo
Em Alien Isolation 2, a proposta é ampliar a sensação de vulnerabilidade que marcou o primeiro jogo sem abandonar o cuidado com a ambientação e a imprevisibilidade dos encontros. Para os desenvolvedores, o objetivo não é apenas fazer o jogador sentir medo enquanto segura o controle, mas criar uma aventura que permaneça na memória mesmo depois que os créditos rolarem no fim do gameplay.
Hope contou ao VOXL que já pensava em uma sequência antes mesmo de concluir o desenvolvimento do primeiro Alien Isolation. A ideia, segundo o diretor, sempre foi evoluir a experiência original de maneira natural, preservando a dinâmica de “gato e rato” entre o jogador e uma criatura praticamente impossível de enfrentar diretamente.
Uma das principais mudanças está na alternância entre ambientes fechados e áreas externas. Enquanto corredores estreitos, salas escuras e esconderijos recuperam a sensação de confinamento do primeiro jogo, os espaços abertos apresentam uma vulnerabilidade diferente: longe de paredes que limitam os movimentos, o jogador também precisa lidar com a falta de proteção e com a dificuldade de entender o que existe ao redor.
Hope acredita que esse contraste pode mexer com a percepção de segurança de quem está jogando. Depois de escapar de um ambiente claustrofóbico, o jogador pode sentir um breve alívio ao chegar do lado de fora, apenas para perceber que talvez prefira voltar ao lugar apertado de onde acabou de fugir.
Alien Isolation 2 traz ambientes mais abertos. Foto: Creative Assembly
A sequência também terá ferramentas conhecidas pelos fãs, além de novos equipamentos e possibilidades de interação com o cenário. A diferença é que esses recursos precisarão ser utilizados de outras maneiras, considerando as características dos ambientes e os riscos que cada situação apresenta.
Xenomorfo mais inteligente deve tornar os encontros imprevisíveis
No primeiro Alien: Isolation, lançado em 2014, o comportamento do Xenomorfo ajudou a estabelecer uma referência para jogos de terror com inimigos que parecem agir por conta própria. Em vez de depender apenas de sustos programados, a criatura utiliza informações sobre o ambiente para procurar o jogador, criando situações em que nem sempre é possível prever o próximo movimento.
Em Alien: Isolation 2, a Creative Assembly pretende ampliar essa abordagem para os cenários externos. O alienígena continuará utilizando seus sentidos para rastrear ruídos e movimentos, mas as condições ambientais terão um papel mais importante na forma como a perseguição acontece.
Xenomorfo de Alien Isolation 2 e mais inteligente. Foto: Creative Assembly
Durante a entrevista, os desenvolvedores usaram as tempestades como exemplo. O vento pode dificultar a audição tanto do jogador quanto da criatura, fazendo com que os dois se aproximem sem perceber; em determinadas situações, o mesmo fenômeno que ajuda a esconder os passos também pode tornar uma fuga muito mais arriscada.
A imprevisibilidade, portanto, não depende apenas de tornar o inimigo mais agressivo. A ideia é fazer com que o jogador interprete o ambiente, reúna informações e decida quando é seguro avançar, mesmo sabendo que suas conclusões podem estar erradas.
Ambiente pode ser uma vantagem ou uma armadilha
Whitehead explicou que a proposta também amplia a quantidade de escolhas disponíveis durante a exploração. Para o artista, o clima e os elementos do cenário podem tanto ajudar quanto prejudicar a sobrevivência, dependendo de como cada pessoa decide utilizá-los.
O desenvolvedor contou que viu integrantes da equipe de testes utilizarem sinalizadores em situações bastante diferentes. Em um dos casos, o vento carregou o objeto de volta para perto do jogador, frustrando a tentativa de distração; em outro, a corrente de ar levou o sinalizador para longe, atraindo o alienígena para uma direção que permitiu escapar.
Esses exemplos ajudam a entender a filosofia da sequência: não basta oferecer uma ferramenta e determinar exatamente o que ela fará. O ambiente precisa reagir de maneiras que incentivem o jogador a observar detalhes, como a direção do vento e os movimentos de folhas e outros objetos, antes de tomar uma decisão.
Sequência quer ensinar o jogador a sobreviver sem facilitar o terror
A equipe também quer tornar mais claras as possibilidades de sobrevivência, sem transformar o jogo em uma experiência menos assustadora. Hope reconheceu que parte dos jogadores do primeiro título acabou associando a estratégia de se esconder em armários a uma solução recorrente, mesmo quando existiam outras maneiras de lidar com a ameaça.
Alien Isolation 2 quer trazer gameplay equilibrado. Foto: Creative Assembly
Na sequência, porém, a ameaça está tão inteligente que isso não vai acontecer. Durante os 30 minutos que testei o jogo, minha primeira reação foi se esconder na ventilação de uma nave, o que logo foi percebido pelo Alien. Em seguida, até mesmo o barulho da minha lanterna ligando acabou sendo percebido pelo Xenomorfo.
Para o diretor, Alien Isolation 2 é fundamentalmente um jogo sobre escolhas. Ficar parado, ouvir os passos da criatura, observar o ambiente e esperar por mais informações podem ser decisões tão importantes quanto utilizar um equipamento ou tentar chegar rapidamente ao próximo esconderijo.
A sequência pretende ajudar os jogadores a compreender melhor os recursos disponíveis no inventário e as formas de utilizá-los para mudar as probabilidades a seu favor. Isso não significa que haverá sempre uma saída evidente, mas que a sobrevivência dependerá de entender as possibilidades oferecidas pelo jogo, em vez de recorrer repetidamente à mesma estratégia.
Whitehead concorda que ampliar essas possibilidades é uma parte importante da evolução. O objetivo é permitir que cada pessoa desenvolva suas próprias soluções, levando em consideração as condições do ambiente e as consequências de suas decisões.
“Acho que a imprevisibilidade, obviamente, sempre fez parte do DNA; mas, ao oferecer mais opções, talvez o jogador comece a prestar atenção na direção em que folhas, detritos e outros elementos estão sendo levados pelo ar — percebendo, por exemplo, que o vento está soprando para um lado específico — e possa usar isso a seu favor, ainda que a situação possa mudar”, ressalta o artista.
Alien Isolation 2 não utiliza inteligência artificial generativa
Enquanto o Xenomorfo está mais inteligente do que nunca, o monstro ainda é alimentado por ferramentas próprias desenvolvidas pelo time da Creative Assembly. Em um momento em que a inteligência artificial generativa está cada vez mais presente nos games, o time por trás de Alien Isolation 2 ainda quer entregar uma experiência “feita à mão”.
A resposta de Archie Whitehead foi direta: a equipe não utiliza IA generativa no desenvolvimento do jogo. O diretor explicou que existem ferramentas de inteligência artificial integradas a processos de trabalho, como o gerenciamento de dados, mas diferenciou esses recursos das tecnologias generativas que produzem conteúdo a partir de comandos.
“Não utilizamos IA generativa”, ressaltou o artista. “Nós usamos, sim, ferramentas de IA que já vêm integradas para recursos de gerenciamento de dados e coisas do tipo, mas não utilizamos IA generativa de forma alguma”, completou Whitehead.
O cuidado artesanal é especialmente importante para Whitehead, que considera a atenção aos detalhes uma parte fundamental da identidade da franquia. O artista lembrou que o ritmo de Alien: Isolation permite que os jogadores parem, observem os ambientes e procurem pistas visuais em lugares que poderiam passar despercebidos em jogos mais acelerados.
Al Hope e Archi Whitehead, desenvolvedores de Alien Isolation 2, estiveram na BGS 2026. Foto: Creative Assembly
Ele citou como exemplo um detalhe do primeiro jogo: a presença de um chiclete deixado embaixo de uma mesa. Para o desenvolvedor, elementos assim funcionam quase como uma conversa silenciosa com o jogador, demonstrando que a equipe considerou até mesmo os lugares menos óbvios que alguém poderia explorar.
Whitehead também ressaltou que esse tipo de cuidado ajuda a tornar o mundo mais convincente. Como a experiência envolve passar longos períodos escondido ou esperando para ouvir os movimentos do inimigo, pequenos detalhes podem ganhar uma importância que talvez não tivessem em uma aventura focada em correr, saltar e combater adversários constantemente.
“Uma das características do jogo original é o quanto ele foi feito de forma artesanal. Refiro-me à atenção aos detalhes — algo sobre o qual falamos muito, no contexto da autenticidade. E, pelo menos na minha visão, isso é um aspecto fundamental”, ressalta Whitehead.
Desenvolvedores querem que Alien: Isolation 2 permaneça na memória
Com esse cuidado artenasal, a equipe de Alien Isolation 2 possui um objetivo claro: criar uma experiência que continue acompanhando o público mesmo depois de os créditos aparecerem. Como fã da franquia, Whitehead disse que gostaria que as pessoas chegassem ao fim e pensassem que tiveram uma experiência tão boa que gostariam de jogar novamente.
Alien Isolation 2 ainda não possui data de lançamento. Foto: Creative Assembly
Hope foi além ao lembrar que o primeiro Alien Isolation deixou marcas mesmo em quem considerou a experiência assustadora demais. O diretor quer repetir essa sensação com a sequência, criando uma jornada em que as escolhas, os momentos de tensão e as maneiras encontradas para sobreviver continuem presentes na memória dos jogadores.
“Esse é o tipo de jogo que adoramos criar. São jogos que permanecem com você muito tempo depois de largar o controle — jogos nos quais você continua pensando, refletindo sobre sua jornada e as escolhas que fez”, explica Hope. “Talvez você pudesse ter feito as coisas de um jeito um pouco diferente, mas, ainda assim, você sobreviveu. E é exatamente isso que buscamos.”
Durante os 30 minutos que joguei Alien Isolation 2, o jogo já se tornou inesquecível por trazer uma ambientação marcante e um Xenomorfo extremamente inteligente, mesmo sem IA generativa. Resta agora aguardar o lançamento para ver se vou conseguir sobreviver durante a experiência completa.
Alien: Isolation 2 está em desenvolvimento para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2. E aí, você está ansioso para o game? Deixe seu comentário!