Falha crítica no PHP paralisa governos e exige atualização urgente
Vazamento antecipado de vulnerabilidades no PHP provoca ataques imediatos, desligamento de portais na Europa e mobilização global de equipes de segurança. Crédito: Derek Keller
A escalada diante da falha global na linguagem PHP fez com que tentativas de exploração de vulnerabilidades críticas saltassem de milhares, nas dez horas que antecederam o anúncio da brecha, para milhões em poucas horas. A afirmação foi feita no X (Twitter), na noite da última quarta-feira (21), pelo CEO da Cloudflare, Matthew Prince, e confirma a dimensão de ataques em todo o mundo.
Para conter os avanços de mais incidentes cibernéticos, a Cloudflare implementou defesas de emergência em seu Web Application Firewall (WAF) cerca de nove horas antes do anúncio oficial sobre a falha. As regras tradicionais baseadas em requisições não eram suficientes, então a companhia ativou um recurso chamado “detecção de transação completa”.
Essa funcionalidade analisa simultaneamente a requisição HTTP e a resposta que chega do servidor de origem. Isso permite confirmar um exploit (código ou comando que aproveita uma vulnerabilidade) ou sua falha e bloquear esse tipo de ação antes que ela atinja o alvo. Como resultado, a técnica reduz os falsos positivos e foi implementada em todos os clientes da Cloudflare.
Mesmo com o protocolo de mitigação realizado pela Cloudflare, especialistas e executivos da companhia reforçam que os firewalls vão atuar somente como um paliativo para a segurança. A grande recomendação da empresa é que os administradores de servidores e provedores de hospedagem apliquem os patches recém-lançados pelo comitê gestor responsável pelo PHP.
Patches de atualização são a única forma segura de se proteger da brecha no PHP Foto: Reprodução/PHP
A perigosa falha php2shell
As vulnerabilidades encontradas no PHP foram classificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619 e possuem um caráter de perigo extremo por conta de sua localização. Essas brechas estão na base de execução, o chamado runtime, da própria linguagem de programação PHP. A linguagem PHP sustenta quase 70% da internet, incluindo milhões de sites e plataformas.
O defeito que ocasiona esses tipos de falha ocorre na forma como o software gerencia a memória quando uma requisição HTTP falha ou é interrompida inesperadamente por falta de recursos. Em vez dele descartar os dados de maneira segura, o PHP vai tentar utilizar informações que não foram totalmente inicializadas ou acessar algumas referências de memória que já haviam sido liberadas.
Todo esse processo realizado pelo PHP cria um cenário que facilita a exploração, como a tentativa de iniciar uma Execução Remota de Código (RCE) sem a necessidade de senhas ou autenticações. Basicamente, os invasores enviam requisições manipuladas para forçar erros de memória.
Como resultado de tudo isso, os atacantes conseguem ler dados sensíveis armazenados nos servidores, como tokens, senhas e chaves de API, e até mesmo derrubar sistemas inteiros ou assumir o controle de máquinas. Já que a falha está na própria linguagem de programação, a maneira de solucionar isso é com uma atualização do PHP.
Por falar em cibersegurança, um possível vazamento de 7,34 TB afetou a Uninter e pelo menos dois milhões de usuários podem ter sido afetados. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.