Trump intervém após Musk limitar Starlink na Ucrânia

Presidente dos EUA teria ligado para Elon Musk - Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligou para Elon Musk na quarta-feira (21) e pediu que o empresário suspendesse as restrições impostas a uma versão militar do sistema de internet via satélite Starlink utilizada pela Ucrânia. Segundo autoridades estadunidenses e ucranianas ouvidas pelo The Wall Street Journal, o serviço começou a funcionar de maneira mais regular na quinta-feira (22), pouco depois da conversa.

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A melhora, porém, não foi uniforme. Enquanto alguns militares ucranianos relataram velocidades mais altas, outros continuaram enfrentando as mesmas limitações. Autoridades do país também afirmaram que o sistema ainda não havia recuperado totalmente sua capacidade.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal, Trump demonstrou frustração com o limite de velocidade. A restrição impedia que alguns drones de ataque e interceptadores ucranianos mantivessem a conexão com a rede de satélites durante deslocamentos rápidos, reduzindo sua capacidade de responder aos ataques russos.

Em declaração a jornalistas nesta quinta-feira (22), Trump evitou comentar diretamente a ligação com Musk, mas afirmou: “Não comento nem de um lado nem de outro”. Em seguida, acrescentou: “O resultado final: ele colocou de volta”.

Musk e a SpaceX não responderam aos pedidos de comentário do Journal.

  • A retomada parcial do serviço pode ampliar a capacidade militar ucraniana de utilizar drones e interceptadores movidos a jato. Esses equipamentos dependem da conexão via satélite para determinadas operações, e a limitação de velocidade dificultava seu funcionamento;
  • Michael Kofman, especialista em guerra da organização Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que a retirada da restrição pode ajudar a Ucrânia a ampliar sua capacidade de ataque a alvos em profundidade operacional, além de acelerar a expansão do uso de interceptadores a jato;
  • Segundo o especialista, unidades militares ucranianas relataram que os primeiros testes indicavam um funcionamento mais regular do sistema;
  • Um representante ucraniano, porém, afirmou que algumas unidades já haviam registrado velocidades maiores, enquanto outras continuavam submetidas ao limite anterior;
  • “Continuamos aguardando informações e esclarecimentos do lado estadunidense sobre a situação. Ainda não houve resposta”, declarou o funcionário.


Elon Musk teria recebido ligação do presidente dos EUA – Imagem: FotoField/Shutterstock

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Governo Trump apresenta versões diferentes

A ligação ocorre em meio a uma semana de questionamentos sobre quem ordenou a redução da velocidade do Starlink e qual foi o papel do governo estadunidense na decisão.

Trump e Musk haviam criticado publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, depois de ataques ucranianos a refinarias russas de diesel. Trump atribuiu a esses ataques parte da responsabilidade pelos preços elevados da energia.

A redução da velocidade do Starlink veio dias depois dessas declarações e contribuiu para agravar as relações entre Washington e Kiev, que chegaram ao nível mais baixo em meses.

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Trump negou repetidamente ter ordenado a restrição ou saber quem havia tomado a decisão. A Casa Branca também remeteu o Journal às declarações anteriores do presidente.

O vice-presidente estadunidense, JD Vance, defendeu a posição de Musk na quinta-feira. Segundo ele, é compreensível que o empresário não queira se envolver em uma guerra sem que o governo dos Estados Unidos determine efetivamente como sua empresa deve atuar.

“Não acho que isso seja sobre Elon. Acho que se trata fundamentalmente de qual será a política dos Estados Unidos em relação à Ucrânia e à Rússia”, afirmou Vance.

A declaração contrasta com as posições apresentadas pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Ambos afirmaram que Musk tinha autoridade para aplicar os termos de serviço da empresa sem orientação do governo. “Existem termos de serviço que precisam ser cumpridos e, em última análise, é a Starlink que tem a opção de tomar essas decisões”, declarou Hegseth no início da semana.

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As versões divergentes mantêm em aberto a questão sobre se a redução da conectividade foi uma decisão independente da SpaceX ou se houve participação da administração Trump.

Senador estadunidense abre investigação

O caso também levantou preocupações sobre a dependência do Pentágono em relação à SpaceX para comunicações via satélite consideradas críticas.

Na quinta-feira, o senador Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, anunciou investigação sobre a redução da capacidade da Starlink na Ucrânia sem aviso prévio. A apuração também examinará as implicações da dependência do Departamento de Defesa em relação à empresa de Musk.

Enquanto isso, a Ucrânia continua enfrentando ataques russos. Na madrugada de quinta-feira, Moscou lançou outra grande ofensiva contra Kiev, a capital ucraniana, um dia depois de a Rússia afirmar que havia concordado com negociações trilaterais com os Estados Unidos e a Ucrânia para tentar encerrar a guerra.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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