Fotos coloridas da Lua não são da missão Artemis II; imagens foram editadas para realçar cores
Fotógrafo ucraniano explicou que aumentou saturação de fotografias do satélite para indicar diferentes minerais presentes no solo lunar. Crédito: Estadão
A análise de amostras do lado oculto da Lua colhidas pela missão chinesa Chang’e 6 e trazidas para a Terra, em 2024, revelou a existência de ferro gama naquela região do solo lunar, como detalha um estudo publicado recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS). A descoberta surpreendeu os cientistas.
Encontrar ferro na superfície do satélite natural era algo esperado, mas não nessa forma, devido às condições atuais do corpo celeste. Com isso, uma investigação mais aprofundada do material pode ajudar a compreender a história geológica e magnética da Lua, funcionando como uma “cápsula do tempo”.
Por que o material encontrado é incomum?
O ferro apresenta diferentes estruturas cristalinas que se modificam conforme a temperatura à qual são expostas. Quando abaixo de 912 ºC, ele se organiza na conformação alfa, a mais comum, mas entre 912 ºC e 1.394 ºC assume a conformação gama, com estrutura cúbica de faces centradas.
- Como a temperatura na Lua varia de -248 ºC a 121 ºC, o composto identificado nas amostras deveria estar na formação alfa, mas não foi o que aconteceu;
- Se o clima lunar é bem mais ameno do que o necessário para a formação do ferro gama, o que teria feito a temperatura subir a tal ponto? É o que os cientistas querem descobrir;
- Uma das hipóteses avaliadas para o aumento drástico de temperatura é o impacto de um meteorito, cujo calor seria suficiente para alterar a estrutura do material em questão;
- Acredita-se que o evento com a rocha espacial tenha sido seguido de um resfriamento repentino, que deixou o ferro “congelado” desde então.
Nas condições atuais do clima lunar, o ferro gama não deveria existir por lá, segundo o estudo. Foto: Dr K Kar/Getty Images
O que reforça a possibilidade é a presença de pequenas quantidades de carbono auxiliando na estabilização da estrutura organizada dos átomos. Conforme a pesquisa, o processo seria parecido com a têmpera do aço, quando ele passa por um resfriamento rápido para manter a forma.
Como algumas das partículas reagiram a campos magnéticos externos, os pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências especulam que as amostras podem ajudar a descobrir se havia um campo magnético na Lua. A expectativa, agora, é obter mais materiais semelhantes para ampliar a investigação.
Este ano, uma nova cratera foi formada na Lua após a queda de um pedaço do foguete Falcon 9 da SpaceX. Relembre o caso.
Com informações de Scientific Daily, Wired Terra e Xataka.