Como fã assíduo de One Piece e criador de conteúdo de culinária, confesso que One Piece: Grand Gourmet acabou me conquistando de uma maneira bem inesperada. Desenvolvido pela Kairosoft e publicado pela Bandai Namco, o jogo mistura gerenciamento de restaurantes, exploração e uma enorme quantidade de referências ao universo criado por Eiichiro Oda.
A proposta é simples: ajudar Sanji a administrar o Baratie Nº 2, já que o Baratie original foi tomado pelos já conhecidos falsos Chapéus de Palha. Com isso, você deverá reunir ingredientes, descobrir novas receitas e atrair personagens do anime para o estabelecimento.
Todas essas atividades são feitas de forma cadenciada, mas sempre instigando o jogador a explorar novas ilhas, desbloquear novos pratos e expandir o seu negócio com diferentes opções de construção e decoração.
De início, porém, a experiência não me chamou tanta atenção. Foi preciso um pouco de paciência com os textos para perceber, de fato, o potencial da aventura — que combina a estrutura tradicional dos jogos de gerenciamento com a presença de centenas de personagens e pequenas recompensas espalhadas pelo caminho.
Sistema de gerenciamento traz doses cavalares de dopamina, ao mesmo tempo que o jogo em si lembra muito Habbo Hotel
Em muitos momentos, One Piece: Grand Gourmet me fez lembrar de Habbo Hotel. A comparação não se limita apenas aos personagens em pixel art, mas também envolve a maneira como eles circulam pelo ambiente, interagem entre si e exibem balões de fala constantemente. O restaurante acaba se tornando um espaço movimentado, no qual sempre parece haver alguma coisa acontecendo.
A administração envolve diferentes atividades, como montar conjuntos de pratos com novas receitas para atrair clientes, melhorar o ambiente com móveis e decorações e organizar o funcionamento do estabelecimento.
Também é possível construir estruturas e otimizar os cenários para receber diferentes tipos de clientes no estabelecimento — afinal, um almirante da marinha não se mistura com a gentalha da pirataria, não é mesmo?
One Piece Grand Gourmet tem uma interface que lembra muito Habbo Hotel. Foto: Valdecir Emboava
O grande atrativo está na quantidade de pequenas conquistas que aparecem durante o gameplay. Uma nova receita, um cliente conquistado, um item desbloqueado ou uma melhoria extra no restaurante funcionam mais como um incentivo para continuar jogando. Quando você percebe, já está planejando a próxima expansão ou tentando completar mais uma atividade.
Essa dinâmica faz com que o gerenciamento seja bastante prazeroso, principalmente para quem gosta de acompanhar números crescendo e sistemas se desenvolvendo praticamente sozinhos na tela.
O jogo distribui recompensas com frequência e mantém o jogador ocupado com objetivos diferentes, criando aquela sensação de que sempre falta apenas mais uma tarefa antes de encerrar a jogatina — até você perceber que se passaram mais de duas horas depois da ‘saídera’.
Elenco do jogo traz até personagens esquecidos do anime
Outro destaque de One Piece: Grand Gourmet é a quantidade absurda de personagens disponíveis. O jogo reúne mais de 400 figuras do universo da franquia, incluindo nomes importantes e até personagens secundários que apareceram brevemente no anime. Para os fãs, encontra-los durante a progressão funciona como uma espécie de passeio pela história de One Piece.
One Piece Grand Gourmet traz elenco com mais de 400 personagens do anime. Foto: Valdecir Emboava
A aventura começa com o jogador ajudando Sanji na cozinha e, com o auxílio de Luffy, encontrando gradualmente os demais integrantes dos Chapéus de Palha. Cada personagem importante introduz novas possibilidades de gerenciamento: Nami, por exemplo, permite conseguir novos ingredientes para os pratos, enquanto Franky amplia as opções de construção e expansão do navio.
Outros integrantes também acrescentam mecânicas próprias. Robin ajuda a aprimorar pratos por meio da leitura de livros, enquanto Zoro contribui para o treinamento e a evolução dos personagens. Essas novidades tornam o recrutamento dos protagonistas parte essencial da progressão, já que cada encontro também pode abrir novas possibilidades para o restaurante.
O sistema de descobertas, porém, não se limita apenas aos Chapéus de Palha. Cada região apresenta personagens com preferências e exigências diferentes, que podem ser conquistados por meio de interações e presentes.
Membros dos Chapéu de Palha trazem melhorias para o restaurante. Foto: Valdecir Emboava
Além disso, explorar as ilhas permite encontrar novos clientes, ingredientes, receitas e itens de decoração, incentivando o jogador a continuar avançando cada vez mais para descobrir o que vem pela frente.
One Piece Grand Gourmet é um jogo perigoso: começa lento e depois te vicia
Apesar de todas essas possibilidades, One Piece: Grand Gourmet demora para engrenar. No início, o jogo apresenta muitos sistemas de uma só vez, com explicações extensas e bastante texto para ler. Para quem espera uma experiência intuitiva desde os primeiros minutos, a quantidade de informações pode tornar a entrada na aventura um pouco cansativa.
One Piece Grand Gourmet te bombardeia de dopamina barata – e isso é muito bom. Foto: Valdecir Emboava
Parte da dificuldade está em compreender como as diferentes mecânicas se conectam. Gerenciar o restaurante, explorar ilhas, desbloquear personagens e melhorar as receitas exige algum tempo de adaptação. Até entender o que cada atividade oferece e como aproveitar melhor os recursos disponíveis, é fácil sentir que o jogo está avançando bem lentamente.
A situação muda quando você finalmente compreende o funcionamento dos sistemas. As atividades passam a fazer mais sentido, as melhorias começam a se acumular e as descobertas se tornam frequentes. A partir daí, o que parecia uma experiência burocrática se transforma em uma sequência de objetivos que se conectam e alimentam a vontade de continuar jogando.
Foi nesse momento que percebi o quanto o jogo consegue prender a atenção. Você começa querendo desbloquear uma receita, acaba explorando uma ilha e, quando se dá conta, está reorganizando o restaurante para conquistar um novo personagem.
As horas passam sem que você perceba, e encerrar a sessão se torna difícil justamente porque sempre existe alguma novidade esperando para ser descoberta — e essa sensação de dopamina barata é realmente boa.
One Piece Grand Gourmet vale a pena?
Para quem gosta de jogos de gerenciamento e busca uma experiência descompromissada, One Piece: Grand Gourmet tem bastante a oferecer. O jogo não exige atenção constante às atividades do restaurante e permite acompanhar boa parte da rotina enquanto os sistemas avançam sozinhos. Isso certamente deixa a experiência mais tranquila para quem prefere estabelecer objetivos e observar os resultados pipocando aos poucos na tela.
O ritmo de progressão também ajuda a manter o interesse. Novos personagens, receitas, itens e possibilidades de expansão surgem ao longo da jornada, oferecendo pequenas recompensas que tornam o gerenciamento deveras prazeroso.
One Piece Grand Gourmet será lançado no dia 23 de outubro para Nintendo Switch, Switch 2, PC, Android e iOS. Foto: Valdecir Emboava
Para os fãs de One Piece, um anime com quase 1.200 episódios, a presença de centenas de figuras conhecidas e referências a diferentes regiões da obra adiciona outro motivo para continuar explorando.
A ressalva fica para o começo lento e a quantidade de informações necessárias para compreender as mecânicas de início. Depois que essa barreira é superada, porém, o jogo encontra seu ritmo e se torna uma opção bastante envolvente para quem gosta de experiências de gerenciamento.
É o tipo de jogatina que não precisa de grandes momentos de ação para manter o jogador ocupado por horas. One Piece: Grand Gourmet será lançado no dia 23 de outubro para Nintendo Switch, Switch 2, PC, Android e iOS.
Nota do VOXL — 80
Pontos positivos:
- Grande variedade de recursos de gerenciamento
- Elenco com mais de 400 personagens, com cada um deles oferecendo novas interações para o Baratie Nº2
- Pequenas e constantes conquistas que instigam cada vez mais o gameplay
- Sistema de otimização do restaurante e lista de receitas são bem variadas
- Um passeio divertido pela história de One Piece
Pontos negativos:
- Começo lento e não muito intuitivo
- Falta de disponibilidade em outras plataformas (PS5 e Xbox Series X|S).
Uma cópia do game foi cedida pela desenvolvedora para review no PC. Ansioso para administrar seu próprio Baratie no universo de One Piece? Conta pra gente nas redes sociais do VOXL!