Binance sofre ataque de R$ 33 bilhões atribuído à Coreia do Norte

Binance promete cobrir perdas após roubo de US$ 6,3 bilhões e prevê retomar saques em 48h. Mercado de criptomoedas opera em queda. - Imagem: JOCA_PH/Shutterstock

Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,71 bilhões) da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque apontado por analistas como o maior da história do setor.

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O incidente provocou quedas no mercado, mobilizou empresas do setor para congelar parte dos recursos e levantou preocupações sobre a segurança das plataformas de negociação de ativos digitais.

Ataque atingiu carteiras em 10 blockchains

Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs, os invasores atingiram carteiras da Binance em 10 redes diferentes e transferiram a maior parte dos fundos em aproximadamente 20 minutos. A companhia associou o ataque a grupos da Coreia do Norte, apontando semelhanças técnicas com roubos anteriores atribuídos a Pyongyang, incluindo o ataque à corretora Bybit em 2025, responsabilizado pelo FBI.

A Chainalysis informou que ainda não podia confirmar a causa da invasão. Até as 21h30 (horário de Brasília), a empresa havia identificado pelo menos US$ 5,912 bilhões (cerca de R$ 31,63 bilhões) em ativos roubados.

Mark Karpeles, ex-chefe da corretora Mt. Gox, avaliou, em declaração à Reuters, que os ativos da Binance parecem estar distribuídos entre diferentes sistemas. Para ele, o invasor pode ter obtido uma autorização válida para movimentar recursos em determinados sistemas da plataforma e talvez até acesso a uma chave privada.

A Binance trabalhou com parceiros para bloquear os recursos afetados e localizou aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,05 bilhões). A cofundadora da corretora, Yi He, afirmou que a empresa cobrirá todas as perdas decorrentes do ataque.

Outras companhias também participaram dos esforços para impedir a movimentação dos valores:

  • A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão (R$ 8,40 bilhões) em ativos relacionados ao incidente.
  • A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões (R$ 4,28 bilhões).
  • A Ripple congelou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhão).
  • A World Liberty Financial, empresa ligada à família do presidente Donald Trump, trabalhou com a custodiante BitGo para bloquear fundos. Segundo Yi He, foram congelados US$ 27 milhões (R$ 144,45 milhões) em stablecoins e cerca de US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões) em tokens da empresa.

Falha levanta dúvidas sobre segurança das corretoras


Uma investigação inicial da Binance indicou que a invasão pode ter começado com o comprometimento do computador de um engenheiro. O acesso teria permitido que o invasor alcançasse um dos sistemas da corretora e realizasse saques não autorizados.

A empresa afirmou que os depósitos dos usuários não foram afetados e que esperava retomar os saques nas 48 horas seguintes ao ataque. A Binance também mantém um fundo de proteção aos clientes, composto integralmente por Bitcoin.

Para Kenneth Goh, diretor de gestão de patrimônio privado da UOB Kay Hian, o ataque a uma das maiores corretoras do mundo deve levar investidores a prestar mais atenção à custódia de seus ativos e à responsabilidade das plataformas quando ocorrem falhas de segurança.

Ataque provoca volatilidade e preocupa analistas

O mercado reagiu ao incidente com quedas nas negociações. O Bitcoin recuou mais de 3%, atingindo a mínima de seis semanas, de US$ 76.368. O Ether também perdeu mais de 3%, chegando a US$ 2.178. As ações da Coinbase caíram 4,8%, enquanto as da Strategy recuaram quase 6% nas negociações estendidas nos Estados Unidos.

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Amanda He, diretora de investimentos da ChainUp Investment, afirmou à Reuters que a queda inicial pode ter sido provocada pela venda de criptomoedas pelo invasor. Na avaliação dela, o movimento contribuiu para espalhar o temor entre investidores durante o pregão asiático. He contou que sua empresa vendeu as posições mantidas na Binance e transferiu os recursos que conseguiu movimentar para stablecoins.

Para Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, uma interrupção nos depósitos e saques da Binance pode prejudicar a movimentação de capital entre plataformas e afetar os formadores de mercado, responsáveis por oferecer preços de compra e venda para facilitar as negociações.

A preocupação com a liquidez também aparece na avaliação de Damon Xu, fundador da 1Token. Em comentário à Reuters, ele previu uma redução nas estratégias que envolvem operações simultâneas em diferentes corretoras e o uso de alavancagem, modalidade que permite negociar com recursos emprestados. Xu considera que plataformas descentralizadas podem se beneficiar de uma eventual migração de capital e atividade comercial.

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Já Jeff Ko, analista-chefe da ViaBTC, avaliou à Reuters que o Bitcoin pode enfrentar menos pressão de venda porque suas transações são rastreáveis na blockchain, o que dificulta a movimentação dos recursos roubados sem deixar registros. O Ether, por outro lado, pode sofrer pressão maior devido à existência de ferramentas que facilitam a ocultação da origem das transações.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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