Brasil é o 2º país mais afetado por rede de TV boxes infectadas

Fabricante chinesa instalou malware em TV boxes e equipamentos de saúde para fraudar anúncios. Anatel alerta para os riscos. - Imagem: Anton Pentegov/Shutterstock

Uma operação liderada pelo Google desmantelou uma rede mundial que controlava mais de 1,3 milhão de aparelhos sem o conhecimento dos donos. Os dispositivos saíam de fábrica com um programa malicioso chamado XCPE.

Continua após a publicidade

O Brasil foi o segundo país com mais equipamentos infectados, atrás apenas da Malásia, segundo a Trend Micro. A operação também envolveu a Agência Nacional de Polícia do Japão e as empresas Lumen, HUMAN Security, Plume, Synthient e TrendAI.

O malware era carregado após a primeira inicialização dos aparelhos, segundo o Google. – Imagem: Fit Ztudio/Shutterstock

Aparelhos atingidos pelo programa malicioso

A maioria dos dispositivos infectados era de conversores de TV (TV boxes com Android). Segundo a Trend Micro, foram identificados equipamentos comprometidos em 170 países. Iraque, México e Taiwan também estavam entre os mais afetados.

O programa, porém, não estava restrito a esse tipo de aparelho. O Google também encontrou o XCPE em:

  • Dispositivos utilizados em serviços de telemedicina;
  • Máquinas de karaokê;
  • Equipamentos de sinalização digital.

Esquema burlava testes de segurança

Segundo o Google, a fabricante Videostrong, sediada em Shenzhen, na China, instalava intencionalmente o programa nos equipamentos desde o fim de 2024. A infecção não dependia de cliques em links suspeitos: os aparelhos já saíam de fábrica comprometidos.

A empresa lucrava vendendo a criminosos o acesso aos dispositivos infectados. Eles utilizavam os equipamentos para simular visualizações de anúncios e gerar receita publicitária.

Para esconder o esquema, a fabricante empregava técnicas que burlavam as verificações de compatibilidade e segurança exigidas pelo Google. Isso permitia carregar o código malicioso depois que o aparelho era ligado pela primeira vez.

Ao identificar a prática, o Google rompeu relações com a Videostrong e proibiu a fabricante de produzir e vender aparelhos Android certificados, além de fornecer software a outros fabricantes certificados. A empresa também modificou seu processo de revisão para proteger os consumidores.


“Um fabricante de dispositivos infectar intencionalmente seus usuários com malware é uma quebra inaceitável de confiança e representa um risco sério para esses usuários”, declarou o Google.

Os aparelhos saíam da fábrica com o vírus instalado para permitir que criminosos simulassem cliques em anúncios. Equipamentos de telemedicina também foram infectados. Imagem: fizkes/Shutterstock

Anatel alerta para riscos às redes de telecomunicações

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também chamou a atenção para os riscos associados ao uso de equipamentos sem homologação. A agência afirmou que combate a comercialização desses produtos por causa das possíveis ameaças aos consumidores e às redes de telecomunicações, embora não tenha participado da operação.

Para Gesiléa Fonseca Teles, superintendente de fiscalização da Anatel, a preocupação não se limita à qualidade dos serviços ou à segurança física dos aparelhos. A procedência e a conformidade dos equipamentos também são importantes para proteger a infraestrutura de telecomunicações.

Continua após a publicidade

“O impacto da utilização de equipamentos não homologados vai muito além das questões de qualidade do serviço fornecido ao consumidor ou da segurança física do aparelho. Trata-se de uma ameaça direta à infraestrutura cibernética do país”, afirmou ao g1.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →


Cultura

Veja também