Vazamento expõe dados de 40 mil servidores do governo dos EUA

Vazamento expõe dados de 40 mil servidores do governo dos EUA Foto: eric broder van dyke/Adobe Stock

Dados pessoais de mais de 40 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) foram publicados na internet nesta quarta-feira (28). O caso veio à tona após apuração do veículo de tecnologia TechCrunch e do coletivo de transparência DDoSecrets, que confirmaram a exposição de registros obtidos via invasão no sistema de autenticação Okta utilizado pelo órgão federal.

A falha expôs nomes, cargos e contatos profissionais, como e-mails, telefones corporativos e locais de trabalho de servidores que atuam em setores estratégicos. Entre os afetados estão cerca de 21 mil trabalhadores da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e 10 mil profissionais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

Coletivo hacker responsável pela invasão, o “Department of Peace” afirmou, em nota enviada junto ao vazamento: “Eles têm nossas informações, então é justo que tenhamos as deles”.

Vazamento expõe dados de 40 mil servidores do governo dos EUA Foto: eric broder van dyke/Adobe Stock

O material roubado foi compartilhado com a pesquisadora maia arson crimew. A especialista desenvolveu uma plataforma de busca para organizar os dados e repassou os arquivos ao DDoSecrets, entidade sem fins lucrativos que hospeda vazamentos no interesse público.

A ativista declarou, à organização sem fins lucrativos (ONG), que “este conjunto de dados é massivo em termos de tamanho e impacto” e que a base “facilita a identificação de agentes e suas linhas de comando”. A cofundadora do DDoSecrets, Emma Best, complementou, em nota oficial do coletivo publicada na quarta-feira:

Ao substituir o anonimato do regime pela prestação de contas, o vazamento serve de catalisador para investigações, fortalecendo jornalistas, inquéritos do Congresso, contestações jurídicas e pedidos via lei de acesso à informação

Emma Best, cofundadora do DDoSecrets

A repercussão do caso atinge o governo norte-americano em meio a protestos populares e à pressão de parlamentares no Congresso contra operações violentas de deportação conduzidas pelo ICE e pelo CBP, com ameaça de paralisação do orçamento federal (government shutdown).

Vazamento expõe dados de 40 mil servidores do governo dos EUA Foto: Saul Loeb/SAUL LOEB

Em resposta enviada ao TechCrunch, um porta-voz destacou: “O DHS está ciente de uma potencial violação e trabalha ativamente para resolver a situação de forma rápida e eficaz. Levamos a sério todas as ameaças à segurança de nossos funcionários e oficiais”.

Por sua vez, o sistema de autenticação invadido informou, em nota, que está ciente dos relatos, mas garantiu: “A Okta está segura e não temos evidências de que nossos dados ou sistemas tenham sido comprometidos”.

Ferramentas e contratos sob escrutínio

Além de expor a identidade de agentes federais, a base de dados revelou detalhes sobre o acesso de funcionários a ferramentas de vigilância, aplicativos de inteligência artificial (IA) e plataformas tecnológicas ligadas a empresas privadas. Levantamento publicado pela Forbes detalha que companhias como Palantir, AT&T e Deloitte mantêm contratos milionários com o ICE para suporte de dados, investigações e telecomunicações.

A Department of Homeland Security agent stands guard as protesters demonstrate against recent raids conducted by the US Immigration and Customs Enforcement (ICE) outside the DHS office in Charlotte, North Carolina, on November 16, 2025. Federal immigration officers began immigration enforcement operations in Charlotte on November 15, they confirmed in a statement. “We are surging DHS law enforcement to Charlotte to ensure Americans are safe and public safety threats are removed,” Assistant Homeland Security Secretary Tricia McLaughlin said. US President Donald Trump has made deporting undocumented immigrants a key priority for his second term, after successfully campaigning against an alleged “invasion” by criminals. (Photo by Peter Zay / AFP) Foto: Peter Zay/PETER ZAY

Entre os registros acessados, constam grupos de usuários associados a contratos específicos, como o uso de ferramentas de rastreamento de localização, softwares de reconhecimento facial e plataformas menores como o aplicativo de saúde mental Headspace, que anteriormente era financiado por contrato público de suporte aos oficiais, conforme registros do USAspending.

Pesquisadores de privacidade e defensores da transparência pública, como integrantes das organizações Property of the People e DDoSecrets, identificaram que a exposição de e-mails e telefones diretos facilita o rastreamento da cadeia de comando da administração federal. O diretor executivo da Property of the People, Ryan Shapiro, destacou a utilidade do material para investigações públicas em declaração ao TechCrunch e ao DDoSecrets:

EDITORS NOTE: Graphic content / Protesters demonstrate against raids conducted by the US Immigration and Customs Enforcement (ICE) outside the Department of Homeland Security office in Charlotte, North Carolina, on November 16, 2025. Federal immigration officers began immigration enforcement operations in Charlotte on November 15, they confirmed in a statement. “We are surging DHS law enforcement to Charlotte to ensure Americans are safe and public safety threats are removed,” Assistant Homeland Security Secretary Tricia McLaughlin said. US President Donald Trump has made deporting undocumented immigrants a key priority for his second term, after successfully campaigning against an alleged “invasion” by criminals. (Photo by Peter Zay / AFP) Foto: Peter Zay/PETER ZAY

Endereços de e-mail e números de telefone são ferramentas indispensáveis para pesquisadores da lei de acesso à informação, e muitas vezes fazem a diferença entre um pedido vago que é bloqueado e um que traz resultados

Ryan Shapiro, diretor executivo da Property of the People

Entidades de direitos civis, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), e jornalistas investigativos de veículos internacionais avaliam que o vazamento servirá de base para questionamentos judiciais e novos pedidos de transparência. A divulgação dos dados ocorre enquanto congressistas norte-americanos e manifestantes cobram o fim de contratos milionários firmados pelo DHS com empresas privadas de tecnologia e vigilância.

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