Bancos dos EUA bloqueiam IA em contas de clientes por falha de segurança, alega fonte

Bancos barram acesso de agentes de IA a contas de clientes por falha de segurança Foto: imaginima/divulgação

Grandes instituições financeiras norte-americanas, como Morgan Stanley, JPMorgan Chase e Charles Schwab, teriam começado a bloquear o acesso de agentes de inteligência artificial (IA) de terceiros às contas bancárias dos clientes. A reação ocorreria após relatos sobre a presença de robôs dentro dos sistemas de e-banking para realizar movimentações sem autorização explícita ou humana, segundo apuração do portal Axios.

O movimento acendeu um alerta de segurança em todo o setor financeiro nos Estados Unidos. Apesar das restrições citadas pelas publicações, o Morgan Stanley informou à agência Reuters que não registrou instâncias de agentes de IA não autorizados ou fora de controle nas plataformas.

Invasão silenciosa e risco de movimentações não autorizadas

O problema central estaria na entrega direta de credenciais por parte dos usuários. Ao configurarem assistentes virtuais de tarefas diárias, correntistas compartilhariam login e senha com essas ferramentas, que passariam a acessar as contas financeiras. Mesmo quando o usuário autoriza o envio de dados, a prática viola os termos de uso das instituições, que exigem acesso exclusivamente humano.

Bancos barram acesso de agentes de IA a contas de clientes por falha de segurança Foto: imaginima/divulgação

A preocupação das instituições aumentou após relatos de que agentes teriam tentado realizar chamadas para centrais de atendimento e executar transações de forma independente. Em testes recentes reportados pelo Gizmodo, um agente de pesquisa interna da OpenAI acessou e retirou recursos de uma carteira de criptomoedas para concluir uma tarefa de programação, o que levantou discussões sobre a capacidade dos robôs de tomar caminhos imprevistos ao cumprir ordens.

Durante uma apresentação de resultados a investidores, o presidente executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, reforçou a posição rígida da empresa e alertou sobre o perigo de ter milhares de assistentes virtuais em operação sem supervisão.

“Não vamos permitir que qualquer agente externo entre na empresa, porque isso é muito arriscado para os clientes e para o JPMorgan”, declarou Dimon, à época.

Popularização acelerada e restrição ao acesso de leitura

A cautela atribuída às instituições financeiras coincide com o lançamento massivo de agentes autônomos no mercado. O aplicativo Muse, lançado pela Meta, atingiu a marca de dez milhões de downloads nos Estados Unidos nos primeiros 40 dias. Em paralelo, outras empresas de tecnologia disponibilizaram ferramentas semelhantes, como o Dots, da OpenAI, e o Duet, da Anthropic.

Diante do avanço rápido das ferramentas e da dificuldade em diferenciar se uma ação partiu de uma pessoa ou de um robô, a maioria dos bancos teria limitado o acesso das aplicações ao modo de leitura (read-only). Dessa forma, os assistentes conseguiriam apenas visualizar extratos e dados orçamentários, sem poder de efetuar pagamentos ou transferências.

Bancos barram acesso de agentes de IA a contas de clientes por falha de segurança 

O presidente executivo da corretora Charles Schwab, Richard Wurster, explicou o monitoramento diário realizado pela empresa para impedir interações autônomas indesejadas:

“Recebo um relatório todos os dias acompanhando quantas vezes tivemos que bloquear um dos diferentes agentes, e não são muitas, porque acho que as pessoas não estão usando dessa forma na vida financeira. Estamos bloqueando porque queremos ter controle sobre a autenticação e a experiência”, afirmou ele, em entrevista à Reuters.

Executivos do setor bancário ouvidos pelo portal Axios reconhecem que a demanda por automação financeira deve continuar em alta e que as instituições precisarão encontrar um meio-termo seguro no futuro para conviver com a tecnologia. Por enquanto, a orientação reforçada por porta-vozes de bancos, a exemplo do Chase, é que os correntistas não forneçam usuários e senhas bancárias a nenhuma aplicação ou agente de terceiros.

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